Lista de álbuns de 2018 e meus preferidos

Todo ano eu tento fazer uma listagem de álbuns lançados no ano que ouvi e quais foram meus preferidos, mas a desorganização sempre venceu e a tal lista ficava só na vontade. Não nesse ano. 🙂
Ouvi 168 álbuns lançados em 2018 (por volta de 3 álbuns por semana). Alguns de artistas que gosto e que sigo a carreira, vários de artistas que conhecia e muitos de artistas que não tinha ouvido falar anteriormente.

Preferidos de 2018

Desses 168 álbuns, 14 foram os meus preferidos. Os critérios adotados para a escolha foram relativamente simples: são os álbuns que ouvi múltiplas vezes, que tinham músicas que achava legais ou instigantes e, mais importante, que me davam vontade de ouvir. São aqueles álbuns que eu me pegava lembrando deles e que, invariavelmente, ia ouvir na sequência.

Sem mais delongas, vai abaixo os meus álbuns preferidos, em ordem alfabética do nome do artista ou banda, com um breve comentário sobre cada um (para ouvir o álbum no Spotify, basta clicar nos nomes do artista ou do álbum):

Amber Mark – Conexão (R&B)

Imagem da capa do álbum "Conexão" da Amber Mark

Esse EP é o sucessor do álbum de estréia da Amber Mark, “3:33 AM” de 2017. São 4 faixas perfeitas, incluindo uma cover da “Love Is Stronger Than Pride” da Sade

Ava Rocha – Trança (MPB)

Imagem da capa do álbum "Trança" da Ava Rocha

Cheguei no terceiro álbum da Ava Rocha via o “Release Radar”, que colocou na lista de lançamentos a ótima “Joana Dark”. Mistura de elementos de percussão de umbanda, MPB, rock e tropicália, é um álbum que foi melhorando a cada vez que ouvia. Além da “Joana Dark”, outras faixas preferidas são “Lilith” e “João Três Filhos”.

Baco Exu do Blues – Bluesman(Rap)

Capa do álbum "Bluesman" do Baco Exu do Blues

O melhor resumo para esse álbum vem do seguinte trecho da faixa título, Bluesman:
A partir de agora considero tudo blues
O samba é blues, o rock é blues, o jazz é blues
O funk é blues, o soul é blues
Eu sou Exu do Blues
Tudo que quando era preto era do demônio
E depois virou branco e foi aceito eu vou chamar de Blues
É isso, entenda
Jesus é blues
Falei mermo

Além dessa faixa, outras que são bacanas são “Me Desculpa Jay Z”, “Minotauro de Borges” e “Preto e Prata”.

DJ Koze – Knock Knock (Electronic / House)

Imagem da capa do álbum "Knock Knock" do DJ Koze

16 faixas que variam de músicas bem dançantes, como as ótimas “Illumination” (com a Róisín Murphy), e “Pick Up” (baseada num sampler da “Neither One Of Us” da Gladys Knight & The Pips), a outras mais tranquilas e reflexivas, como “Club der Ewigkeiten” e “Drone Me Up, Flashy”. Daqueles álbuns de ouvir de uma vez só, sem pular nenhuma faixa.

Elza Soares – Deus É Mulher (Art Rock)

Capa do álbum "Deus É Mulher" da Elza Soares

Depois do fantástico “A Mulher do Fim do Mundo”, a Elza Soares continua mantendo a qualidade do trabalho anterior. Mesmo saindo do samba sujo e indo pra uma pegada mais rock, as músicas continuam tendo o mesmo tom crítico do disco anterior. As faixas que mais gostei são “Exu Nas Escolas”, “Hienas Na TV”, “Credo” e “Dentro De Cada Um”.

Gwenno – Le Kov (Indie Pop)

Capa do álbum "Le Kov" da Gwenno

A música “Tir Ha Mor” (Terra e Mar) apareceu um dia na “Discover Weekly”, agradei do vocal e da música, resolvi ouvir o álbum e acabou que achei muito bacana, mesmo não entendendo uma palavra de cornualhês (sic). Outras músicas que curti são “Jynn-amontya” e “Aremorika”.

Jack White – Boarding House Reach (Experimental Rock)

Capa do álbum "Boarding House Reach" do Jack White

Na primeira vez que ouvi o novo álbum do Jack White, não achei nada demais; na segunda já achei mais interessante, mas ainda nada especial. Só na terceira que a ficha caiu. É o Jack White um pouco diferente dos trabalhos anteriores, experimentando mais e fazendo um som mais inesperado. “Connected By Love”, “Corporation”, “Over and Over and Over” e “Respect Commander” merecem a audição.

Kali Uchis – Isolation (Pop / Psychedelic Pop)

Capa do álbum "Isolation" da Kali Uchis

Uma das gratas surpresas do ano. O que poderia ser um álbum totalmente desarticulado, por ter praticamente cada música de um estilo diferente (bossa nova, pop, regaetton, soul, entre outros), acaba por bem coeso e servir como uma demonstração da capacidade da Kali Uchis de navegar por esse emaranhado musical sem se perder. Gostei de todas as músicas, mas destaco as “Body Language”, ” Flight 22″, “Tyrant” e “After The Storm”.

MGMT – Little Dark Age (Synthpop / Indie)

Imagem da capa do álbum "Little Dark Age" do MGMT

A melhor definição que vi para esse álbum foi a de “trilha sonora perfeita para bailinho dos anos 80”. Destaque para as músicas “Little Dark Age”, “Me and Michael”, “TSLAMP” e “Hand it Over”.

Parquet Courts – Wide Awake! (Art Punk / Rock)

Imagem da capa do álbum "Wide Awake!" do Parquet Courts

Punk modernizado para o final dos anos 2010. “Wide Awake” entra fácil em qualquer lista das melhores músicas de 2018. Além dessa, outras que gostei bastante são “Almost Had To Start a Fight / In and Out Of Patience” e “Total Football”

Robyn – Honey (Dance / Pop)

Imagem da capa do álbum "Honey" da Robyn

Robyn é uma daquelas artistas que eu tinha uma preguiça imensa. Lia muito a respeito, via o tanto de elogio sobre os discos anteriores, mas, sei lá, meu santo nunca bateu com o dela. Então fui ouvir esse álbum com um bocado de preguiça, mas com o coração aberto. E foi amor à primeira ouvida. 🙂 Agradou tanto que vou revisitar aos álbuns antigos dela. Destaco “Missing U”, “Beach2k20”, “Ever Again” e “Honey”.

ROSALÍA – El Mal Querer (Flamenco / Pop)

Imagem da capa do álbum "El Mal Querer" da ROSALÍA

Rosalía faz o casamento perfeito entre o flamenco com a música pop, e traz o ritmo para a atualidade, sem soar artificial ou caricata. Gostei especialmente de “MALAMENTE (Cap.1: Augurio)”, “PIENSO EN TU MIRÁ (Cap.3: Celos)” e “BAGDAD (Cap.7: Liturgia)”. Aliás, o vídeo de “MALAMENTE (Cap.1: Augurio)” é uma obra-prima.

SOPHIE – OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES (Electronic / Experimental)

Imagem da capa do álbum "OIL OF EVERY PEARL'S UN-INSIDES" da SOPHIE

Dos 14 álbuns, esse é o que, na minha opinião, mais aponta para o futuro do que será a música. Arranjos incomuns e camadas de sons diferentes aparecem em todas as músicas, desde as mais ‘acessíveis’, como “It’s Okay To Cry”, “Is It Cold In The Water?” e a bela “Infatuation”, como as mais experimentais (“Ponyboy” e “Faceshopping”).

U.S. Girls – In a Poem Unlimited (Pop / Psychedelic Pop)

Imagem da capa do álbum "In a Poem Unlimited" do U.S. Girls

Outro álbum que é uma coleção de músicas de diferentes estilos, mas que também funciona muito bem. “Mad As Hell”, “Rosebud” e “Time” são destaque.

Para quem quiser ouvir os álbuns, eles estão nessa playlist do Spotify

Playlist “Preferidos de 2018”, com os álbuns listados acima

Menções Honrosas

Além dos 14 álbuns preferidos, os 17 álbuns abaixo também frequentaram bem a minha playlist e merecem ser destacados (para ouvir o álbum no Spotify, basta clicar nos nomes do artista ou do álbum):

  1. Anna Calvi – Hunter
  2. Arctic Monkeys – Tranquility Base Hotel & Casino
  3. Beach House – 7
  4. Christine and the Queens – Chris
  5. Cornelia Murr – Lake Tear of the Clouds
  6. DUDA BEAT – Sinto Muito
  7. Georgia Anne Muldrow – Overload
  8. Gilberto Gil – OK OK OK
  9. Janelle Monáe – Dirty Computer
  10. John Coltrane – Both Directions At Once: The Lost Album (Deluxe Version)
  11. Kamasi Washington – Heaven and Earth
  12. Meshell Ndegeocello – Ventriloquism
  13. MULAMBA – Mulamba
  14. Natalie Prass – The Future And The Past
  15. Noname – Room 25
  16. Snail Mail – Lush
  17. Tirzah – Devotion

A Lista Completa

  1. The 1975 – A Brief Inquiry Into Online Relationships
  2. Adrian Younge & Ali Shaheed Muhammad – The Midnight Hour
  3. Against All Logic – 2012 – 2017
  4. Alexis Taylor – Beautiful Thing
  5. Alice Caymmi – Alice
  6. Alice In Chains – Rainier Fog
  7. Alina Baraz – The Color Of You
  8. alt-J – Reduxer
  9. Amber Mark – Conexão – EP
  10. Amen Dunes – Freedom
  11. Amerie – 4AM Mulholland
  12. Amerie – After 4AM
  13. Anna Calvi – Hunter
  14. Arctic Monkeys – Tranquility Base Hotel & Casino
  15. Ariana Grande – Sweetener
  16. Art Brut – Wham! Bang! Pow! Let’s Rock out!
  17. Ava Rocha – Trança
  18. Baco Exu do Blues – Bluesman
  19. Beach House – 7
  20. Belle & Sebastian – How To Solve Our Human Problems (Parts 1-3)
  21. Belô Velloso – The Old Fashioned Way
  22. Black Foxxes – Reiði
  23. Blood Orange – Negro Swan
  24. Boycrush – Desperate Late Night Energy
  25. boygenius – boygenius
  26. The Breeders – All Nerve
  27. Calibro 35 – DECADE
  28. Cambriana – Manaus Vidaloka
  29. Car Seat Headrest – Twin Fantasy
  30. Carne Doce – Tônus
  31. Caroline Rose – LONER
  32. The Carters – EVERYTHING IS LOVE
  33. Cat Power – Wanderer
  34. CHIC – It’s About Time
  35. Christina Aguilera – Liberation
  36. Christine and the Queens – Chris
  37. Chromeo – Head Over Heels
  38. Clara Anastácia – Anastácia
  39. Confidence Man – Confident Music for Confident People
  40. Cornelia Murr – Lake Tear of the Clouds
  41. Courtney Barnett – Tell Me How You Really Feel
  42. David Byrne – American Utopia
  43. DJ Koze – Knock Knock
  44. DJ Seinfeld – DJ-Kicks (DJ Seinfeld) [Mixed Tracks]
  45. Django Django – Marble Skies
  46. Djonga – O MENINO QUE QUERIA SER DEUS
  47. Drik Barbosa – Espelho
  48. DUDA BEAT – Sinto Muito
  49. Echo & the Bunnymen – The Stars, The Oceans & The Moon
  50. Eddie Palmieri – Full Circle
  51. Elle King – Shake The Spirit
  52. Elza Soares – Deus É Mulher
  53. Empress Of – Us
  54. Erasmo Carlos – Amor É Isso
  55. Esperanza Spalding – 12 Little Spells
  56. Ezra Furman – Transangelic Exodus
  57. Father John Misty – God’s Favorite Customer
  58. Franz Ferdinand – Always Ascending
  59. Gal Costa – A Pele do Futuro
  60. Georgia Anne Muldrow – Overload
  61. Gilberto Gil – OK OK OK
  62. The Good, the Bad & the Queen – Merrie Land
  63. Gorillaz – The Now Now
  64. Greta Van Fleet – Anthem Of The Peaceful Army
  65. Gui Amabis – Miopia
  66. Gumes – Bb
  67. Gwenno – Le Kov
  68. Halo Maud – Je Suis Une île
  69. Hookworms – Microshift
  70. Hueyband – Ma
  71. IDLES – Joy as an Act of Resistance.
  72. Illy – Voo Longe
  73. The Internet – Hive Mind
  74. Interpol – Marauder
  75. Irmão Victor – Cronópio?
  76. Jack White – Boarding House Reach
  77. Janelle Monáe – Dirty Computer
  78. Jazzanova – The Pool
  79. Joan As Police Woman – Damned Devotion
  80. John Coltrane – Both Directions At Once: The Lost Album (Deluxe Version)
  81. Joji – BALLADS 1
  82. Jonathan Tadeu – Sapucaí
  83. Jonathan Wilson – Rare Birds
  84. Jonathan Wilson – Rare Birds
  85. Jorja Smith – Lost & Found
  86. José James – Lean On Me
  87. Josyara – Mansa Fúria
  88. Julia Holter – Aviary
  89. Kacey Musgraves – Golden Hour
  90. Kali Uchis – Isolation
  91. Kamasi Washington – The Choice
  92. Kamasi Washington – Heaven and Earth
  93. Karol Conká – Ambulante
  94. Kero Kero Bonito – Time ‘n’ Place
  95. Kurt Vile – Bottle It In
  96. Laura Lavieri – Desastre Solar
  97. LUMP – LUMP
  98. Laurel Halo – Raw Silk Uncut Wood
  99. Leon Bridges – Good Thing
  100. Let’s Eat Grandma – I’m All Ears
  101. Lotic – Power
  102. Low – Double Negative
  103. Luciana Souza – The Book of Longing
  104. Lucy Dacus – Historian
  105. Luiza Lian – Azul Moderno
  106. Mac DeMarco – Old Dog Demos
  107. Mahmundi – Para Dias Ruins
  108. Manic Street Preachers – Resistance Is Futile (Deluxe)
  109. Maria Beraldo – Cavala
  110. Mariah Carey – Caution
  111. Maurício Pereira – Outono no Sudeste
  112. Meshell Ndegeocello – Ventriloquism
  113. Mestre Anderson Miguel – Sonorosa
  114. MGMT – Little Dark Age
  115. Mileena – Look at Me
  116. Mitski – Be the Cowboy
  117. Monza – Bonsai
  118. MULAMBA – Mulamba
  119. Muse – Simulation Theory (Super Deluxe)
  120. Nap Eyes – I’m Bad Now
  121. Natalia Lafourcade – Musas (Un Homenaje al Folclore Latinoamericano en Manos de Los Macorinos), Vol. 2
  122. Natalie Prass – The Future And The Past
  123. Negra Li – Raízes
  124. Neko Case – Hell-On
  125. Neneh Cherry – Broken Politics
  126. Nicola Conte & Spiritual Galaxy – Let Your Light Shine On
  127. Noname – Room 25
  128. Nothing – Dance on the Blacktop
  129. Oneohtrix Point Never – Age Of
  130. Parliament – Medicaid Fraud Dogg
  131. Parquet Courts – Wide Awake!
  132. Rae Morris – Someone Out There
  133. Rival Consoles – Persona
  134. Robyn – Honey
  135. Romulo Fróes – O Disco das Horas
  136. ROSALÍA – El Mal Querer
  137. Santigold – I Don’t Want: The Gold Fire Sessions
  138. serpentwithfeet – soil
  139. Shopping – The Official Body
  140. Silva – Brasileiro
  141. Skee Mask – Compro
  142. The Smashing Pumpkins – SHINY AND OH SO BRIGHT, VOL. 1 / LP: NO PAST. NO FUTURE. NO SUN.
  143. Snail Mail – Lush
  144. Soccer Mommy – Clean
  145. Sofiane Saidi & Mazalda – El Ndjoum
  146. Sons Of Kemet – Your Queen Is A Reptile
  147. SOPHIE – OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES
  148. Speedy Ortiz – Twerp Verse
  149. St. Vincent – MassEducation
  150. Starchild & The New Romantic – Language
  151. Stone Temple Pilots – Stone Temple Pilots (2018)
  152. Superchunk – What a Time to Be Alive
  153. Swing Out Sister – Almost Persuaded
  154. Teto Preto – Pedra Preta
  155. Tirzah – Devotion
  156. Tom Misch – Geography
  157. Tord Gustavsen Trio – The Other Side
  158. Tracey Thorn – Record
  159. Troye Sivan – Bloom
  160. Ty Segall – Fudge Sandwich
  161. Ty Segall & White Fence – Joy
  162. U.S. Girls – In a Poem Unlimited
  163. Vários Artistas – Afroindie, Vol. 1
  164. Vince Staples – FM!
  165. Wado – Precariado
  166. The XCERTS – Hold on to Your Heart
  167. Yo La Tengo – There’s a Riot Going On
  168. Young Fathers – Cocoa Sugar

Pra quem quiser ouvir todos os álbuns listados acima, vai aí a playlist

Playlist do Spotify com os 168 álbuns lançados em 2018, em ordem de audição

Incoerências, comoções seletivas e Marielle Franco

Tirei uns minutos pra denunciar e bloquear usuários do Twitter que estavam espalhando o boato da Marielle Franco ser casada com o Marcinho VP. Antes de denunciar, olhei a timeline deles e notei um padrão: Todos continham um tuíte com essa imagem

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Imagem de duas mulheres negras, colhidas dos posts no Twitter

e um texto nessa linha.

“Incoerência. Mulheres negras, pobres, trabalhadoras e brutalmente assassinadas no Rio. Se você nunca ouviu falar delas, é porque não eram militantes de esquerda. Eram policiais.”

Alguns exemplos de tuítes com texto similar a esse:

 

Não citavam nomes, em alguns não citavam que eram do Rio nem que eram policiais. Pra quem queria denunciar a “incoerência”, pelo visto não precisa citar a identidade: só a menção de que eram negras trabalhadoras já seria suficiente para mostrar a seletividade da comoção gerada pela morte da Marielle Franco. Resolvi procurar quem eram essas mulheres. Cortei as imagens de cada uma e fiz busca. Essas são as histórias dessas duas mulheres.

Soldada PM Fabiana Aparecida de Souza

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Soldada PM Fabiana Aparecida de Souza

Fabiana tinha 30 anos. Morreu na noite de 23/07/2012 com um tiro no peito, durante ataque de criminosos à sede da UPP de Nova Brasília, no conjunto de favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio. 3 suspeitos foram presos, conforme registrado nessa matéria do Jornal do Brasil.
Nascida em Rio das Flores, Fabiana tinha morado em Valença e antes de ir para o Rio de Janeiro, onde morava com a irmã, Luciana.  Estava na corporação há 4 meses, era uma moça alegre e vivia um momento feliz da vida, disse a irmã em reportagem do jornal O Globo.
Fabiana foi enterrada no dia 25/07/2012 no cemitério do Riachuelo, no centro de Valença, RJ, onde havia morado. Segundo matéria do site R7, centenas de pessoas compareceram ao sepultamento e as ruas no entorno do cemitério ficaram lotadas.

Soldada PM Alda Rafael Castilho

 

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Soldada PM Alda Rafael Castilho,

Alda tinha 27 anos. Morreu no dia 02/02/2014, em troca de tiros na UPP na comunidade Parque Proletário, na Vila Cruzeiro. Os relatos são divergentes: segundo matéria do G1, ela foi atingida com um tiro na cabeça; já por matéria do site R7, ela morreu por causa de um tiro na barriga.
Alda era o orgulho da família, a primeira a entrar na faculdade; cursava Psicologia e seu sonho era ser psicóloga da PM. A mãe, Maria Rosalina Rafael Castilho, ficou devastada com a morte da filha, e se queixou de não ter sido procurada por nenhuma ONG ligada aos direitos humanos, conforme citado em matéria d’O Globo. A mesma matéria contém comentário do José Junior, coordenador da ONG AfroReggae. Ele lamentou a morte de Alda em post na Internet, e também reclamou da falta de indignação: “Não vi as pessoas das ONGs falarem da morte da policial”.
(Observação: o José Junior foi o mesmo que insinuou que o Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos, assassinado por policiais no Complexo de favelas do Alemão em 2015, estava envolvido com o tráfico.)
Alda foi enterrada no dia 03/03/2014 no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, segundo informado no site da Band.
Essas são as histórias da Fabiana e da Alda, soldadas da PM mortas durante o exercício de suas profissão. Essas são as mulheres cujos tuítes supostamente indignados nem se deram ao trabalho de informar os nomes.
Mas alguém sabia quem elas eram: Marielle Franco.

Trabalho da Marielle Franco

Fabiana e Alda foram citadas na dissertação de mestrado da Marielle: “UPP – a redução da favela a três letras : uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”, juntamente com outros 11 policiais mortos até Agosto de 2014. A dissertação da Marielle está no site da UFF e o trecho está na página 99:

Dentre esses mortos estão: Paulo Ricardo Fontes Carreira, 30 anos; Diego Bruno Barbosa Henriques, 25 anos; Anderson Dias Brazuna, 34 anos; Charles Thomaz Barros, 25 anos; Wagner Vieira da Cruz, 33 anos; Leonardo do Nascimento Mendes, 27 anos; Melquisedeque Bastos, 29 anos; Fabiana Aparecida de Souza, 30 anos; Alda Rafael Castilho, 27 anos; Rodrigo de Souza Paes Leme, 33 anos; Leidson Acácio Alves Silva, 27 anos; Fábio Gomes, 30 anos; Wesley dos Santos Lucas, 30 anos. Os seis últimos somente neste ano, até agosto de 2014, nas favelas pacificadas (vide gráfico 1).

A mesma Marielle que sabia os nomes da Fabiana e da Alda é a mesma que também lutava pelos policiais, prestando assistência aos familiares quando estava no gabinete do Marcelo Freixo. Em matéria d’O Dia, Rose Vieira, mãe de Eduardo, policial morto, relata que “[q]uando meu filho foi morto me falaram para procurar os Direitos Humanos. Pensei: ‘Direitos Humanos para policiais?’Foi assim que conheci a Marielle, que passou a cuidar do caso pessoalmente”

Outra matéria do G1 destacando o trabalho de Marielle Franco no apoio aos policiais, cita que:

Quem trabalha na Comissão de Direitos Humanos lamenta que não haja  estrutura para ajudar todas as vítimas. No ano passado, foram mais de  100 policiais mortos — sem contar o auxílio prestado às vítimas civis.  No grupo, não há nem 15 funcionários.

“É uma ajuda que deveria partir do Executivo, da secretaria por exemplo. A Comissão de Direitos Humanos da Alerj ajuda como pode. Às vezes, precisamos pegar o contato com familiares de vítima com a imprensa porque não sabem nem que existimos. A polícia, os bombeiros, as instituições que deveriam ajudar são todas ligadas ao Executivo e não ao Legislativo. Fazemos o que podemos”, diz um dos membros do grupo.

Será que quem reclama dos direitos humanos sabe dessa realidade? Será que a Maria Rosalina Castilho, mãe da Alda, foi orientada corretamente para buscar esse suporte? Não seria o momento de cobrar mais infraestrutura?

Em sua dissertação, Marielle fala o seguinte:

As marcas dos homicídios não estão presentes apenas nas pesquisas, nos números, nos indicadores. Elas estão presentes sobretudo no peito de cada mãe de morador de favela ou mãe de policial que tenha perdido a vida. Nenhuma desculpa pública, seja governamental ou não, oficial ou não, é capaz de acalentar as mães que perderam seus filhos.[…].  Não há como hierarquizar a dor, ou acreditar que apenas será doído para as mães de jovens favelados. O Estado bélico e militarizado é responsável pela dor que paira também nas 16 famílias dos policiais mortos desde o início das UPPs.

Marielle morreu lutando por pessoas como a Fabiana e a Alda. Não vamos deixar a luta dela terminar.